Nos últimos dias, vídeos viralizaram nas redes sociais ao afirmar que o uso de fones de ouvido Bluetooth estaria ligado ao surgimento de nódulos na tireoide e a outros riscos à saúde. Muitas dessas publicações citam um estudo científico associado ao grupo Nature, mas deixam de explicar um ponto essencial: a pesquisa identificou apenas uma associação estatística, não uma relação direta de causa e efeito.
Os próprios autores do estudo destacam que os resultados não permitem concluir que os fones Bluetooth provoquem nódulos na tireoide. O que foi observado é que esses dois fatores aparecem juntos com certa frequência dentro dos dados analisados — algo comum em estudos epidemiológicos, que investigam padrões e correlações na população, mas não comprovam causalidade.
A pesquisa utilizou ferramentas avançadas de inteligência artificial para cruzar grandes volumes de dados, passando por etapas de coleta, análise estatística e modelagem preditiva. Ainda assim, para afirmar que um fator causa o outro, seriam necessários estudos mais aprofundados, com acompanhamento ao longo do tempo, grupos de controle e repetição dos resultados em diferentes populações.
Do ponto de vista da saúde auditiva, o maior risco associado ao uso de fones não está na tecnologia Bluetooth, mas no volume do som e no tempo de exposição. Segundo a médica Pauliana Lamounier, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, fones intra-auriculares tendem a concentrar mais energia sonora dentro do ouvido do que os modelos do tipo concha, o que exige ainda mais cuidado.
A endocrinologista Carolina Ferraz, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, reforça que discursos alarmistas devem ser vistos com cautela. Segundo ela, não há, até o momento, evidência científica suficiente para mudar comportamentos ou recomendar exames de rastreamento com base apenas nesse estudo.
Embora os fones não sejam vilões, crianças e adolescentes podem estar mais vulneráveis por conta do uso prolongado ao longo da vida. Além disso, muitos jovens não percebem sinais iniciais de danos auditivos, como zumbido ou dificuldade para entender a fala, o que pode atrasar o diagnóstico.
Os fones Bluetooth emitem radiação de radiofrequência não ionizante, a mesma utilizada por celulares, Wi-Fi e outros dispositivos do dia a dia. Esse tipo de radiação é de baixa energia e não tem capacidade de causar danos diretos ao DNA. A tecnologia opera em uma faixa amplamente estudada e, segundo a Organização Mundial da Saúde, não há evidências consistentes de efeitos adversos à saúde quando os limites recomendados são respeitados.
Até agora, não existem restrições médicas ou regulatórias que limitem o uso de fones Bluetooth por risco de radiação.
Especialistas concordam que o principal cuidado deve ser com o uso adequado. Uma orientação prática é a regra do 60/60: usar o volume em até 60% da capacidade máxima por no máximo 60 minutos seguidos, fazendo pausas para descanso da audição.
Em resumo, o estudo pode servir como ponto de partida para novas pesquisas, mas não justifica pânico. Informação de qualidade, uso moderado e atenção à saúde auditiva continuam sendo as melhores recomendações.
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