Foto: Reprodução
Por: Flavia Bataglia
Nem sempre é simples suportar vazios, ouvir o barulho do silêncio de dentro ecoar, revistar nossas gavetas internas abarrotadas de tudo.
Durante a vida, juntamos muitos trajes, vestimos diferentes figurinos, trocamos muitas peças para estar sempre na moda, sempre nos conformes para o momento a seguir.
É importante fazer planos, mas desde que não nos tirem o sossego de uma bela noite de sono. É quase impossível não sonhar e imaginar o que ainda não chegou, mas desde que isso não nos roube a plenitude de estar com o corpo e a mente descansados.
Nem sempre precisaremos buscar muito ou nos conectar com tantos para estar em paz. Às vezes, encontraremos felicidade deitados no sofá, sem pensar em nada, ouvindo o tintilar dos últimos pingos da chuva que já foi embora, respirando lentamente enquanto o café está sendo coado. Permanecer inalterado, apesar do silêncio do outro, do mundo e principalmente do nosso, é tarefa que aprendemos a destrinchar com o tempo, com as circunstâncias.
Nossas inconstâncias acontecem porque necessitamos estar sempre fazendo, indo de encontro, buscando, realizando e não nos atemos ao que é imprescindível agora, neste instante. E, muitas vezes, tudo de que precisamos é apreciar o nada que diz tudo dentro de nós, é ouvir a voz que nos tranquiliza e nos faz acreditar que cada coisa tem a sua vez.
Os dias podem ser traiçoeiros em suas longas horas, podem ser intermináveis, quando não conseguimos viver com sabedoria todos os seus minutos. Inúmeras vezes, valerão mais as anotações num caderno do que o dia da formatura, sorriremos mais com as conversas descontraídas numa roda de amigos do que numa ocasião solene e marcada por comemorações.
O que é capaz de nos abraçar com verdade e nos acomodar trazendo para o centro é tudo de que precisamos. Nunca haverá solidão, se estivermos envolvidos pela paz da nossa boa companhia.
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