Por: Fabrício Carpinejar

Os últimos serão os primeiros. Juliette conseguiu a sua inédita liderança na derradeira chance. Não sabemos qual o poder da imunidade, se ela não se prolonga por mais uma semana para assegurar um lugar entre os três finalista.

Juliette criou uma torcida apaixonada. Uma torcida de seleção em Copa do Mundo. Quantos milhões de pessoas sopraram o número 12 para ela na prova do Líder? Quantos gritaram para que ela ouvisse o chamado em sua intuição? Quantos sofreram de ansiedade, roeram unhas, para protegê-la do paredão? Quantos anjos invisíveis balançaram os seus cabelos na definição dos algarismos premiados?

A identificação com a paraibana é um fato extraordinário no BBB. Sua autenticidade, sua sinceridade, sua esperança teimosa representam um momento raro de empatia na televisão brasileira. Ela transformou a sua vida real em novela. Do calvário da incompreensão, alcançou a condição de predestinada.

Não conquistou likes e seguidores pelos atalhos da apelação, por algum namoro na casa, pela sua sensualidade, pela exposição da nudez, porém pelas suas palavras firmes e decididas.

É um caso excepcional de amor do telespectador por um caráter, por um conteúdo emocional, por alguém impregnado de paixão pelas suas origens, que explica o que sente pelos refrões de canções e citações de livros.

É um amor intelectual a uma pessoa, além dos modismos, além do que veste e ostenta. Gosta-se de Juliette por quem ela é, em vez de por quem gostaria de ser.

Seu favoritismo partiu da coerência de suas ideias e de suas atitudes, não do seu corpo, não de suas extravagâncias.
Trata-se de um alento testemunhar que o discurso e o pensamento ainda se sobrepõem às aparências.

Ela é realmente como os cactos, que não florescem apenas na primavera, mas todo ano. Com seus espinhos, com as suas dores, com uma resistência incomum da sensibilidade ao sol inclemente da visibilidade.

Sobreviveu a si mesma, não perdeu sua essência convivendo com tantas identidades e personalidades diferentes por 100 dias. Não foi influenciável pelo medo ou persuadida pela carência. Não quis agradar como sempre costuma acontecer, e agradou como nunca se viu antes.

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