Por: JCS

Em meio a pandemia, “a exaustão de tentar educar um paciente de cada vez” levou o médico Diego Vieira, que é professor de História, a repartir com os internautas três casos ocorridos neste sábado (09) em meio ao seu plantão na linha de frente contra a Covid-19 em um hospital em Baturite, interior do Ceará.

Visando um maior número de audiência, ele resolveu compartilhar em sua página no Instagram @imagens.história, assim, os três relatos rapidamente ecoaram e foram muito curtidos e compartilhados, ultrapassando 40 mil curtidas em 6horas.

capa oficial - Desabafo de médico ecoa pelas redes: “Enquanto você posta foto na praia, na balada ou no bar, estamos vendo a segunda onda vir”

1- “Jovem de 22 anos com sintomas respiratórios. Relata que viajou pra praia no Réveillon e que 3 pessoas da casa onde estavam testaram positivo para COVID. Está com medo pois abraçou a mãe idosa no dia primeiro de janeiro. Repreendi sobre a necessidade e evitar aglomerações, ele respondeu que “precisava relaxar” no Ano Novo. Sinto que ele não me escutou”, relata ele sobre o primeiro caso.

2- “Mulher de 45 com febre e tosse. Tenta furar a fila de atendimento exigindo o “tratamento preventivo”. Mando esperar sua vez. Na sua consulta exige prescrição de cloroquina. Oriento que a medicação não tem nenhuma eficácia contra a COVID. Sai do consultório ameaçando me processar. Sinto que ela não me escutou”, revela ele sobre o segundo caso.

3- “Idosa de 71 anos com falta de ar. Saturação de oxigênio baixa. Ligo para o SAMU que informa que não pode levar no momento para hospital de grande porte pois já estão com vários pacientes na mesma situação esperando. Filha diz que fizeram uma “festinha “só de 15 pessoas na virada, apenas com parentes próximos. Nem tinha mais forças para repreender. Sinto que ela não vai me escutar”, finaliza no terceiro caso, então, logo desabafou:

“É assim que todos os profissionais de saúde que conheço estão se sentindo. A população não nos escuta há meses. Enquanto isso, chegamos a mais de 200 mil mortos oficialmente, mas quem trabalha na linha de frente sabe que esse número e subestimado. Estamos exaustos, deprimidos e desesperançosos. Enquanto você posta foto na praia, na balada ou no bar, estamos aqui vendo a segunda onda vir com força redobrada. Enquanto nós não temos mais força nenhuma. Pois ninguém nos escuta”.

O médico Diego Vieira disse à reportagem que as três situações aconteceram neste sábado (09), na unidade em que ele trabalha desde que a pandemia começou, é um hospital que atende pessoas com os mais diversos diagnósticos, sem ala específica para Covid-19. Perguntou-se sobre qual era seu maior desejo para 2021, ele disse que é “uma campanha séria, organizada e ampla de imunização” posta em prática

– É nossa única esperança – Destacou

A mensagem que gostaria de passar para meus seguidores, Vieira comentou?

– Mensagem? Que as pessoas acreditem naqueles que passaram a vida toda estudando ciência.

Com informações: Jornal Extra
Foto capa: Arquivo Pessoal

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