Por: JCS

Depois que o coronavírus surgiu no final de 2019, o mundo se deparou com uma dura realidade, que ele não causava apenas uma pequena gripe e que além de ser letal, tinha grande poder de disseminação entre as nações. Assim, o sinal vermelho de alerta foi dado e cientistas do mundo todo o viam de maneiras diferentes, dessa maneira, vários conflitos foram gerados com a OMS (Organização Mundial de Saúde) para compreender as maneiras pelas quais o vírus de propagava.

Médicos renomados tiveram que se retratar com o público por subestimar o coronavírus, logo que perceberam que ele se transformou em uma pandemia sem precedentes. Assim que a pandemia começou a OMS demorou a orientar os países sobre a importância do uso de máscaras, afinal, todos estavam buscando entender como o vírus se comportava e como ele era transmitido.
Em meio a tantas novas descobertas e incertezas um novo desacordo entre cientistas e OMS está próximo de acontecer.

Aproximadamente 239 especialistas de 32 países montaram e assinaram uma carta aberta que será publicada da revista americana Clinical Infectious Diseases com a afirmação de que o coronavírus está no ar, e assim pode infectar muitas pessoas. O desenvolvimento do texto solicita que a OMS aumente o conhecimento sobre a propagação aérea da Covid-19 e a urgente necessidade de os governos criarem medidas de controle. Entre as quais: usar máscaras faciais de proteção em locais fechados e socialmente distantes, a minimização do ar de recirculação, adição de filtros mais eficazes em sistemas de ventilações de escolas, casas, empresas e lares de idosos, e luzes ultravioletas para matar partículas virais flutuantes em pequenas gotas dentro de casa.

A carta aberta entra em “choque” com uma das atualizações recentes da OMS, feita sobre o coronavírus, no dia 29 de junho, que afirma: a transmissão aérea do vírus só é possível após procedimentos médicos que produzem aerossóis ou gotículas menores que 5 mícrons ( Um micros é um metro dividido por um milhão) e que a transmissão do vírus entre as pessoas acontece principalmente por meio das gotículas respiratórias e pelo contato.

Alguns cientistas e consultores da OMS recentemente foram entrevistados pelo jornal americano The New York Times, e informaram que a OMS, apesar das boas intenções que apresenta, está fora de harmonia e sintonia com a ciência e que, principalmente, o comitê de prevenção e controle de infeções além de ser lento, deixa a desejar nas atualizações de orientações, sendo que está intimamente ligado à uma visão rígida e totalmente médica das evidências científicas.

Os cientistas querem que a OMS, diante das várias discordâncias, adote um tom ou “princípio de precaução”. Mesmo que não haja evidências totalmente confirmadas ou definitivas, a agência deve assumir o lado pior do vírus, baseada no alto nível de propagação e principalmente pela assustadora quantidade de pessoas que morreram ao redor do mundo. Afinal, é preferível prevenir do que remediar.

Qual o valor prático desta carta aberta?

A carta alerta principalmente sobre a transmissão da covid-19 pelo ar em circulação, assim, esta informação é extremamente importante para hospitais e transportes públicos, pois reúnem muitas pessoas em pequenos espaços físicos : “Existe um potencial significativo de exposição por inalação ao vírus em gotículas respiratórias microscópicas (micropartículas) a distâncias curtas a médias (até vários metros), e estamos defendendo o uso de medidas preventivas para mitigar essa via de transmissão aérea”.

Paulo Saldiva, infectologista e professor do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP, disse que, a carta é um grande alerta de que o distanciamento de 1 a 2 metros entre as pessoas não é tão eficaz contra o coronavírus, principalmente nos locais que vivem fechados e que não têm um sistema que renova o ar.

“Vimos que o coronavírus permanece muito mais tempo no ar e viaja a uma distância maior do que 2 metros em determinados ambientes” – concluiu Paulo Saldiva.

“A recomendação de se manter mais de um metro e meio de distância de uma pessoa infectada vale mais para doenças bacterianas, como a tuberculose, em que as partículas são maiores, mais difíceis de serem carregadas pelo ar, mas não para o coronavírus, que se propaga por partículas menores”, comparou o pesquisador.

Diante destas declarações, mais cuidados precisam ser tomados para precaução.

Informações de: G1 e Veja

 

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