Equilíbrio

Agir em favor de si mesmo nem sempre é egoísmo

Por Prof. Marcel Camargo

Um dos preços que pagamos por viver em sociedade é vermos nossas atitudes atingirem a vida de outras pessoas, é não podermos agir ao nosso bel-prazer, sem analisar o raio de alcance de nossas ações. Fazemos parte de um corpo social, ao qual devemos nos harmonizar, para que não provoquemos quebras que afetem o caminhar daqueles que estão ao nosso lado.

Desde pequenos, somos ensinados a pensar nas consequências de nossos comportamentos, para que nos coloquemos no lugar do outro e não nos tornemos adultos egoístas e isentos de compaixão para com o próximo. Caso busquemos tão somente a realização de nossos desejos, sem levar em conta as pessoas que caminham ali ao lado, estaremos fadados a passar por cima da dignidade alheia, de forma injusta e, muitas vezes, cruel.

No entanto, é preciso que, nesse percurso, jamais nos esqueçamos de nós mesmos, de nossos anseios e desejos, de nossos sonhos. Não poderemos pensar tão somente no outro, negligenciando tudo o que pulsa dentro de nós, ou viveremos uma vida correta lá fora, enquanto nos quebramos por dentro. Com o tempo, nesse ritmo, não mais estaremos aptos a ajudar ninguém.

Teremos que saber até onde podemos nos distanciar de nós mesmos, qual o limite exato de nossa entrega, ou seremos anulados pelas necessidades dos outros. Nossa sobrevivência e nosso respirar com leveza em muito dependerão da atenção que dermos ao que somos. Abdicarmos de tudo o que nos define em favor do outro pode até parecer magnânimo, mas não tardaremos então a nos esvaziar de tudo aquilo que constitui nossa essência primeira.

Jamais poderemos nos culpar, achando que estamos sendo egoístas, ao romper com o parceiro de quem nada nos retorna, ao evitar o amigo que suga, o colega que debocha, o primo que nem telefona, ao falar verdades doídas a quem merecer, ao recusar o convite de quem não acelera o nosso coração. Nesses casos, estaremos tão somente priorizando a pessoa mais importante em nossas vidas, ou seja, ninguém mais do que nós mesmos.

Enquanto estivermos agindo com ética e retidão, sem ferir as pessoas ao nosso redor, não estaremos errando. É dessa forma que nos fortalecemos para estender ajuda a quem precisar, porque então seremos alguém capaz de oferecer algo, já que estaremos bastando a nós próprios.

Se não nos preservarmos naquilo que temos de mais precioso, condenaremos nosso destino aos descaminhos infelizes da anulação de todos os ideais que inundaram os nossos sonhos de vida, desde a mais tenra infância. E isso ninguém deveria merecer.

Sensível Mente

Revista de opinião e entretenimento, sobre temas relacionados ao equilíbrio entre mente corpo e espiritualidade.

Recent Posts

Chefe revela “teste secreto da xícara de café” e explica por que elimina candidatos na hora!

Enquanto muitos candidatos passam horas aperfeiçoando o currículo e treinando respostas estratégicas, um executivo decidiu…

6 dias ago

Esperança nas embalagens: campanha da Piracanjuba já ajudou a localizar 8 desaparecidos

Cinco meses após o lançamento, a campanha “Desaparecidos”, da Piracanjuba, entra em uma nova fase…

2 semanas ago

Pouca gente discorda: 8 em cada 10 pessoas amam esta comédia romântica que está na Netflix

Em Doce Lar, Melanie Carmichael é uma mulher que trocou o Alabama por Nova York…

3 semanas ago

Curtos, modernos e cheios de estilo: os nomes monossilábicos que viraram febre no mundo

A preferência por nomes curtos para bebês se consolidou como uma tendência mundial. Em países da Europa,…

4 semanas ago

Tema viral: você usa fones Bluetooth todos os dias? A ciência faz um alerta importante

Nos últimos dias, vídeos viralizaram nas redes sociais ao afirmar que o uso de fones…

1 mês ago

The New York Times revela os 100 maiores e melhores filmes do século 21

O The New York Times divulgou uma lista especial com os 100 maiores e melhores…

1 mês ago