Equilíbrio

A capacidade de não desistir – Mario Sérgio Cortella

Por: JCS

Uma das coisas mais importantes da vida é a capacidade de não desistir quando o objetivo é sólido, quando eu quero algo eu preciso ir buscar, não significa que eu vá fazer isto para sempre, aí seria tolice, obsessão, seria uma forma de distorção mental. Mas, alguém que quer algo vai procurá-lo, as vezes vai ter que fazê-lo por muitas e muitas vezes, e ao fazer isto estará demonstrando inteligência focal.

Afinal de contas, há uma diferença entre ser flexível e ser volúvel: O volúvel é alguém que muda “toda hora”, o flexível é alguém que é capaz de alterar a rota depois que tenha fundamentos para isto, por isso, eu admiro a pessoa que tenha clareza do que deseja e não desiste, afinal, não existe fracasso no insucesso, o fracasso está na desistência, ninguém fracassa quando não obtém sucesso, mas sim quando desiste após não ter obtido o sucesso.

Claro que eu não vou desistir por qualquer coisa, más também não vou persistir por qualquer coisa, Machado de Assis dizia uma coisa maravilhosa: “Nem sempre recuar é fugir”, pode ser que eu tenha que alterar minha rota e ir para outra atividade, más só depois de eu esgotar todas as minhas energias naquilo que de fato é o meu foco.

Uma pessoa só deve desistir de um projeto quando ela tiver esgotado as forças que desenvolveu para atingir aquilo, percebe que as forças que ela tinha como capacidade não são mais suficientes, alguém que várias vezes faz o vestibular e nota que já esgotou aquilo que era sua condição, tem que alterar a rota.

Não há um único caminho na vida, a vida é plural, e essa pluralidade ela não pode ser colocada no campo da obsessão, porque uma pessoa obsessiva é aquela que não consegue mudar, afinal de contas coerência contínua não muda a realidade, o que muda é sinônimo patológico, eu quando fiz vestibular, fiz para filosofia, e a carreira que eu queria seguir era a religiosa, eu entrei numa ordem religiosa, que era a ordem Carmelitana Descalça, eu tinha entre 17 e 18 anos, fiquei três anos nessa atividade, e, estando na universidade mudei de rota, fui para a atividade docente, isto significa que a alteração da vida ela não é algo fora da nossa condição, é um sinal de inteligência.

Alguém que está em um caminho e percebe que ele não renderá aquilo que se deseja, precisa mudar, senão é tolice. Eu tenho um critério, acho que uma pessoa está pronta para mudar de rota quando ela tem os “ Se não ” para continuar naquele caminho em número maior do que as razões, isto é, quando os seus “apesar de” ficam muito maiores do que os “por causa de ”, quando eu vou fazer vestibular de maneira sequente e noto que insistir naquilo tem mais “apesares” do que “por causa” tem muito mais “ se não” do que “razões“ insistir aí não é valentia é tolice.

Sensível Mente

Revista de opinião e entretenimento, sobre temas relacionados ao equilíbrio entre mente corpo e espiritualidade.

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