Técnica para uso da pele de tilápia foi desenvolvida no Ceará — Foto: Viktor Braga/UFC
Por: JCS
Um grupo de pesquisadores do Projeto Pele de Tilápia, da Universidade Federal do Ceará (UFC), quer ajudar a amenizar a dor dos cidadãos do Líbano, para tanto estão organizando campanha para conscientizar as autoridades brasileiras a autorizarem e facilitarem o envio todo do estoque de pele de tilápia, que contém 40 mil Cm quadrados, eles querem a todo custo ajudar as pessoas que foram vítimas daquela explosão em Beirute, Líbano, que teve cerca de 100 óbitos e deixou mais de 4 mil feridos.
A UFC é uma referência em estudos desenvolvidos com a pele do peixe tilápia, a pele colocada sobre as queimaduras age com muita eficácia como um “curativo biológico” no processo de cicatrização em queimaduras de 2º e 3º graus e lesões na pele.
Conforme o biólogo Felipe Rocha, um dos pesquisadores do projeto, é necessário que haja um bom consenso entre os governos do Brasil e Líbano para que o material seja enviado:
“Como é um material de pesquisa, os ministérios da Saúde dos dois países precisam se contatarem e autorizarem o envio e o uso. Mas a pesquisa já está bem avançada e os resultados de efetividade de efeito já são comprovados e publicados em artigos nacionais e internacionais”, concluiu.
Carlos Roberto Paier, pesquisador, disse que, a pele da tilápia é um produto que ainda faz parte de experimentos, muito embora os resultados são eficazes e comprovados, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) não autorizou este tipo de tratamento, este é o principal motivo de haver muita burocracia para o envio do material. No ano passado, nossas equipes quiseram enviar as peles para socorrer as pessoas vítimas de um acidente na Colômbia, o negócio acabou não dando certo por conta da legislação da Colômbia.
“É preciso ter uma empresa interessada em fazer a transferência da tecnologia. Se a empresa adquirir essa tecnologia e passar a produzir a pele da tilápia industrialmente, o produto poderá ser comercializado e passará a ser fiscalizado pela Anvisa”, detalhou.
O pesquisador Paier ainda esclareceu que existem outros tipos de tratamento para pessoas queimadas, entre eles, o da pele humana. Entretanto, o estoque é bem escasso, principalmente em tempos de pandemia, fator que deixa o tratamento bem mais caro. “Para se ter uma ideia, no Brasil só existem dois bancos de pele humana, em São Paulo e no Rio Grande do Sul”, concluiu.
O tratamento com pele de tilápia possui uma alta capacidade de regeneração
Conforme vários estudos clínicos feitos em cerca de 350 pacientes, foi constatado que a pele de tilápia tem uma alta capacidade de regenerar a pele afetada, minimiza as dores do paciente, e reduz a quantidade de trocas de curativos e principalmente os custos operacionais clínicos. Este uso é plenamente indicado para casos de queimaduras de 2º e 3º graus.
Um dos coordenadores da pesquisa, Dr. Edmar Maciel, disse que o tratamento feito com a pele da tilápia tem a função de um “curativo temporário” evitando certos danos como é o caso da contaminação. “Ele age como curativo temporário que evita a troca de curativos, reduz a perda de líquido e a contaminação do meio externo para dentro da ferida. Dependendo da profundidade da queimadura a recuperação pode acontecer em um intervalo de 2 dias a até um mês e meio”, informou em detalhes.
Com informações: G1
Crédito imagens: Viktor Braga/UFC
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