“Eles eram dois? Nem sei. O que sei é que, se escavassem um, encontrariam o outro. Mãe e filho num entrelaço simbiótico, soma de dois que unificou, fazendo caber tudo numa identidade só. A mãe, uma peça, o filho, a outra.
Encaixe que se ramificou no imaginário coletivo, gerando um manancial de graça, tudo porque uma parte se transformou na parte que o inspirou.
Agora, ao saber que a unificação das partes se desfez, chorando inconsolavelmente a parte que partiu, ocorre-nos o sofrimento da parte que ficou. Oh, dona Deia, como é afiada a espada que agora a corta.
Como é sem chão o mundo que lhe resta, como é sem nexo a vida que a espera. A sua parte está partida, porque a parte que partiu é sua parte inteira. Sim, o destino de toda mãe é viver repartida, já que suas partes sempre partem. Às vezes para um até logo, às vezes para o nunca mais.
Mas, para nós, que cremos, dona Deia, o nunca mais é logo ali…”
Com informações: Caras
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