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Médica descreve situação no Posto de Saúde: “Sinto que peço socorro para uma população que nega uma pandemia…”

Por: JCS

A médica, Maíra da Rosa, Clínica e emergencista, de Nova Prata, RS, postou em sua conta do Facebook um relato em tom de desabafo de como ela se sente ao tratar de pacientes que mesmo com sintomas da Covid-19, parecem negar a doença e abriram mão de obedecerem às medidas preventivas de segurança para evitarem a contaminação.

Segunda feira, 04 de janeiro.

Posto de saúde lotado, queixas das mais diversas.

1. Fulano teve contato com amigo na festa de réveillon, que testou positivo, e exige realizar o teste pois mora com a mãe que é diabética: esqueceu que tinha mãe antes de ir para festa.

2. Beltrano começou com sintomas há dez dias, mas foi na farmácia e “na parceria” conseguiu comprar azitromicina – não melhorou, e ainda ganhou uma reação à azitromicina. Perdeu o prazo de coletar o PCR, não fez isolamento, não foi orientado, quantos pode ter contaminado?

3. Ciclana teve febre, dor de garganta, não sabe se é gripe ou foi do sol que pegou na praia no feriado. Quer atendimento prioritário pois febre é urgente, briga com a equipe, fala alto. Exige o “kit covid”, tratamento precoce para não ser intubada. Explico que a única garantia para não piorar, é não se contaminar. Oriento isolamento. Sinto que falo sozinha.

Sinto que nesses últimos meses o que mais faço é falar sozinha, é pedir socorro para uma população que nega uma pandemia, e banaliza as mortes dizendo que “morreu por que era idoso”, “morreu por que tinha problemas de saúde”, “morreu por que já ia morrer” – MEU DEUS QUANDO FOI QUE PERDEMOS A EMPATIA??

E no meio de tudo isso, dona Maria espera sua consulta para renovar a receita dos remédios da diabetes.

Sai do posto com a receita e com o vírus. Vai precisar de internação, oxigênio, uti. Vai usar o kit milagroso, vai rezar, vai se despedir. A família não vai aceitar, ela não saia de casa desde março. Um velório de caixão fechado.

Enquanto fulano, beltrano e ciclana, seguem dizendo nas suas redes sociais que sobreviveram ao Covid, e que nem foi tudo que a mídia diz, que querem causar pânico, que a vacina é parte de um plano para mudar nosso DNA.
Quando foi que perdemos o bom senso?

Sensível Mente

Revista de opinião e entretenimento, sobre temas relacionados ao equilíbrio entre mente corpo e espiritualidade.

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